SOB CUSTÓDIA - O Protesto São-Carlense

24/06/2013 11:45

 

Nos dois primeiros dias da semana, escrevi dois textos que tinham como assunto principal as manifestações que estão ocorrendo por todo o país. Na segunda, convoquei meus leitores para os protestos, para que vocês ganhassem as ruas e falassem em nome do povo brasileiro que ainda está tímido. No segundo, dei algumas explanações de porque a Copa do Mundo no Brasil não é necessária, mas, pelo contrário, criminosa com o Estado Nacional.

Na quarta-feira, me tranquei dentro de meus pensamentos e dediquei o dia para uma reflexão mais aprofundada. Nem o melhor analista político do Brasil consegue explicar o que está de fato acontecendo e onde tudo isso pode nos levar. Não serei eu, portanto, que darei palavras finais ao movimento.

Quinta-feira, tirei meu dia inteiro para me concentrar na manifestação de São Carlos. Pintei uma camisa, pensei em alguns cartazes e dizeres relevantes. Esquematizei como e com quem chegaria, o horário, com quem estaria perto na caminhada e o que fazer depois dela.

Além de estar lá para fazer de nosso país um lugar melhor para se viver, gritando contra as injustiças deste Brasil, também procurei ter um olhar detalhado sobre a manifestação. Emocionei-me algumas vezes e destaco o momento de maior comoção quando junto à multidão, cantei o hino nacional. Pela primeira vez na minha vida, senti orgulho de ser brasileiro, não apenas pelas mulheres bonitas que povoam nosso país, não apenas por termos o melhor futebol da história, não apenas por termos festas todo fim de semana. Senti-me orgulhoso porque sou brasileiro, batalhador e quero mudar a maneira de se viver no Brasil.

A manifestação seguiu pacífica e plural durante todo o caminho. Mais importante do que a paz, na minha visão, é  a pluralidade. Ao meu lado esquerdo, alguns amigos de colégios particulares com quem caminhei todo o percurso. Ao meu lado direito, um aglomerado de conhecidos que jogaram futebol comigo na infância, todos estudantes de escolas públicas. Imediatamente atrás de nós, a bateria da federal e alguns estudantes tipicamente universitários. A diretora do Colégio onde estudo, alguns professores meus e outros senhores de idades variadas também compunham a massa. A conclusão é a melhor possível: Não é a revolta dos jovens ricos, dos estudantes, ou dos universitários. É a revolta de todo um povo.

Ainda que um tanto quando disperso e diferente sobre o que protestar, o grupo mostrou à cidade que não é  ingênuo. Mostrou ao país que a sede da EMBRAPA, um dos maiores laboratórios do país, pode perder a paciência em um instante de descontentamento. É melhor respeitar o cidadão são-carlense.

Ainda temos que amadurecer no aspecto de organização, mas do resto, está excelente. A polícia sequer foi notada durante o protesto, não temos do que reclamar. Que continue assim. A manifestação segue por todo o país. É a primavera dos povos brasileiros. Com toda certeza, se houver uma próxima, eu estarei lá. Farei parte dos livros de história.

Na verdade, acho que já faço.

 


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