SOB CUSTÓDIA - Não vivemos Só de Futebol

05/03/2013 17:48

 

Há muito atrás, em uma era medieval, muito, muito distante, um Papa renunciou. O Papa era Gregório XII e o ano 1415. Na época, a igreja católica passava por um momento de crise, conhecido como o Grande Cisma do Ocidente. Era cede papal para tudo quanto é lado. Em Avignon residia um antipapa, em Pisa outro e o Papa mesmo estava em Roma. Após várias movimentações políticas daqui e dali, para botar ordem na instituição, Gregório XII renunciou.

Dito isso, a renúncia de Bento XVI agora parece só um acidente de percurso, não é mesmo? A igreja já viveu dias de maior descrédito, de inseguranças, de reforma e contrarreforma.

Mas, pensando bem, a renúncia de Ratzinger é um fato e tanto. Afinal, quem nos últimos 598 anos, viu um evento desta magnitude? Sintam-se todos privilegiados.

Passada a análise histórica, é hora de pensar. Alguma coisa muito grande está acontecendo no seio da igreja para que Bento XVI tenha tomado tal atitude. A renúncia de um Papa é contundente e a justificativa de “falta de forças” é tão simples que insulta.

João Paulo II foi um dos melhores administradores que o Vaticano já teve. Extremamente politizado, mostrou o melhor lado do catolicismo. Viajou por todo o globo, beijou o chão de todos os países que pisou. Angariou o respeito dos chefes de estado e o amor de seus fiéis. Bento XVI não foi tão carismático, foi mais recluso, menos midiático, mas foi corajoso.

Ratzinger esbravejou contra métodos contraceptivos em uma época onde o controle demográfico, o planejamento familiar e a sexualidade são assuntos em todo o mundo. Ratzinger teve de explicar diversas acusações sobre abuso sexual de menores e ainda precisou pensar muito para rebater críticas diversas sobre a integridade da instituição que liderava.

O protestantismo ganha cada vez mais espaço na América latina, enquanto o ateísmo produz argumentos cada vez mais sólidos em seu movimento, que agora adquire aspectos de militância. O mundo não é mais o mesmo, especialmente a metade ocidental.

Enquanto isso, a igreja católica precisa recuperar prestígio, reconhecimento e, acima de tudo, fiéis. A cortina de fumaça foi evocada. Bento disse adeus. Alguma coisa está acontecendo. O conclave será convocado nas próximas semanas e um novo Papa vem aí. Um brasileiro? Um africano? Difícil saber. Sinceramente, sinto que não será dessa vez. Dois italianos, um austríaco e um canadense são os favoritos. É esperar para ver.

A história está sendo escrita. Sintam-se todos privilegiados.

 


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